Pular para o conteúdo principal

Dentro de casa (Com muita criatividade!)



Algumas editoras já trabalhavam, antes dessa situação calamitosa que estamos vivendo, com o intuito de publicar livros de qualidade e com bons propósitos. Já dei algumas indicações aqui no blog (Busque pelos textos sobre livros
infantis e infantojuvenis.), e é uma alegria poder expandir essas indicações, com o primeiro lançamento da Aletria Editora, durante essa quarentena!

*

Pelo que pude observar, muitas mães e muitos pais estão com trabalhos intensivos: entreter a cria, fazer home office, ajudar os filhos com o dever de casa e, ainda, tirar um tempinho para viver sua individualidade. Não tenho lugar de fala (Não sou mãe.), mas nesse caso é nítido que os pais* precisam de ajuda... Seja com o que for... E meu auxílio, claro, chega em forma de indicação de livro!
Então neste texto, vou indicar o novíssimo livro infantil da artista Bruna Lubambo, o Dentro de casa, publicado pela Aletria!
 Não escrevi esse livro para pesar sobre mães e pais uma necessidade de ‘transformar a quarentena numa grande aventura dentro de casa’ [...] Este livro é sobre a generosidade das crianças com as pequenas coisas. Elas olham de perto. Param por um instante. [...]

É com este recado empático e tranquilizador (Quase um abraço!) que Lubambo finaliza seu livro. E faço essa citação pra “começar” a falar sobre esse livro para que vocês, pais e mães, que leem este texto, NÃO pensem que esse é (mais) um produto caça-níquel**! Não! Não é! Muito pelo contrário, esse é um livro necessário e atemporal!

Nesse livro, o trabalho da Bruna Lubambo tem coloridos e traços que lembram giz de cera e pincel... Sabe quando a criança vai pintando e você sabe o que ela usou?! Então... Essa foi a impressão que tive! E gosto desse tipo de trabalho porque acho que aproxima (ainda mais) a criança do desenho, devido à associação da arte do livro com a lição que ela faz na escola e/ou com o passatempo que ela cria em casa!

O texto da Bruna (Vou usar primeiro nome. Como se fosse íntima, mesmo!), junto com suas ilustrações maravilhosas, dão vida a um personagem infantil que viu na sua casa, sem quintal, infinitas possibilidades de histórias. A sala, que recebe a visita do sol só no fim da tarde, se tornou uma floresta tão imensa, que não era mais possível atravessá-la em um dia.
No banheiro, de repente, apareceu uma lagoa cheia de peixes e patos que, claro, se tornaram amigos desse protagonista tão criativo. Até o caminho para o quarto dele tomou proporções tão gigantescas que a mãe não consegue voltar de lá no mesmo dia... Precisa acampar!

E assim ele vai usando a imaginação pra fazer da sua casa um mundo cheio de aventuras, tesouros de piratas, pé de tapioca...

É um livro barato, curtinho, com capa em alto relevo; tem “quinas” arredondadas (Que ajudam a evitar que a criança se machuque.), papel mais espesso (Para que a criança não se corte ao manusear.) e tem também texto em caixa alta (todas as letras maiúsculas). O livro tem dimensões adequadas para a criança menor, ou seja, não é grande demais, por isto ela consegue manusear sozinha, e foi impresso com material muito resistente. Além de tudo isso, as ilustrações são limpas, com cores muito vivas, e os cenários são comuns às crianças, porque são reproduções dos cômodos de uma casa e de uma floresta, por exemplo.
Faço questão de destacar, também, esses aspectos técnicos/físicos porque é um produto direcionado a um leitor que, talvez, não saiba manusear um livro de maneira que não o machuque e que também não o danifique muito. Mas, principalmente, porque para a maioria dos leitores deste blog não será possível manusear esse livro tão lindo antes de comprar para o pequeno leitor. Talvez com meu texto o adulto consiga ter uma ideia sobre a composição.

As projeções de cenários externos (mata/floresta), nos cômodos da casa, além de muito lúdicas são muito criativas e estimulantes, o que pode ser de grande ajuda para os pais de crianças menores que precisam de auxílio com a criatividade pra prender a atenção desses leitores; porque essa história é praticamente infinita. É um texto que não tem um fim, um desfecho... O protagonista lança uma ideia pro mediador, que pode pegá-la pra fazer dela o que quiser junto com a criança, ou sozinho. Li sozinha e me diverti demais!

 Por fim, acho muito importante enfatizar o olhar esperançoso do protagonista quanto ao futuro, porque sempre precisaremos dessa esperança, desse olhar terno e generoso para o que vem pela frente, principalmente, depois da pandemia!

O livro Dentro de casa não é um livro “só para” a quarentena! É um livro para todas as horas. Para todas as vidas, todas as idades. Dê esse presente para sua casa, sua criança, para você.
Leve esse livro para a biblioteca da sua escola, tenho certeza de que ele ajudará demais seu corpo docente/pedagógico!

*Utilizarei esse termo para que o texto não fique muito extenso e nem repetitivo. Eu, Cotovia Literária, tenho plena consciência do trabalho, majoritariamente, materno em nossa sociedade.
**E se fosse, não teria espaço aqui no blog. Pode apostar!

Ficha técnica
Título: Dentro de casa
Autora: Bruna Lubambo
Ilustrações de capa e miolo: Bruna Lubambo

Obrigada pelo mimo, R.



Com carinho, Cotovia Literária!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os machões dançaram (E bem mal, hein?!)

Mulher é minha causa. Mulher é meu dogma. Mulher sempre foi minha cachaça e meu comunismozinho.   No livro final da trilogia “Modos de macho & modinhas de fêmea” Xico Sá publica crônicas inéditas e também crônicas já reproduzidas no jornal El País e Folha de São Paulo. São crônicas sobre amor e sexo, que a maioria das pessoas podem julgar terem sido escritas para o público feminino. Mas se o público masculino se aventurasse nas leituras dessas crônicas, teriam muito a aprender, hein?!   O livro é uma afronta ao machismo e uma apologia à liberdade de amar, à sensibilidade e, principalmente, à mulher! Não, não é a sensibilidade de chorar por tudo, de mimimi… é sensibilidade no olhar, no tocar, no não tocar...   Em uma das primeiras crônicas, ele elogia Clint Eastwood (Quando a foto foi publicada, em 2012, o ator tinha 82 anos.), por recusar o uso de photoshop em sua foto na capa da revista “M” (Suplemento do jornal francês “Le Monde”). Na mesma crônica, ele menciona a

A sociedade literária e a torta de casca de batata (Entre porcos e livros!)

  Eu jamais iria ridicularizar alguém que gostasse de ler. (Juliet para Amelia)   A sociedade literária e a torta de casca de batata é um desses livros do qual, não quero me separar. Quero andar com ele pra cima e pra baixo, não importando se ainda há páginas para serem lidas ou não.   As autoras Mary Ann Shaffer e Annie Barrows contam a história de Juliet Ashton, uma escritora inglesa que está em turnê de divulgação do seu último livro, logo após a Segunda Guerra Mundial, e que está em crise existencial (Dito assim parece clichê, mas é muito mais profundo do que consigo transcrever aqui no texto.).   O livro traz um compilado de cartas trocadas entre a escritora inglesa e alguns personagens da trama, principalmente Dawsey Adams, Sidney e Sophie. Dawsey é um fazendeiro na Ilha de Guernsey que, durante a ocupação alemã, adquiriu um livro que foi de Juliet e que na contracapa trazia o endereço antigo dela. Dawsey enviou uma carta pro tal endereço pedindo recomendação de alg

A praia dos inúteis (Que inutilidade útil!)

Mais um texto sobre um livro da Editora Biruta que, com certeza, precisa habitar, também, as prateleiras das bibliotecas escolares. No livro que esse texto aborda, há uma luta, quase subliminar, a favor das ciências das artes e do respeito ao Outro. Há nele também, uma abordagem direta sobre permitir que o   Outro seja quem ele é... não menos importante, o autor, Alex Nogués , traz em seu texto questionamentos sobre a diferença entre custo e valor. Por sua vez, a ilustradora Bea Enríquez , presenteia o leitor com seu belíssimo trabalho (Originalmente em aquarela? Acho que é!) que, como diria minha avó, “faz pareio” com a belíssima narrativa, principalmente ao traduzir a personalidade de Sofia! Adulto, querido, leia o brilhante A praia dos inúteis , e o faça antes de destiná-lo à sua criança! Você merece isso!   *   A Sofia, caro leitor, é uma personagem adorável, que te faz querer parar e pensar sobre a vida da maneira mais leve possível! Ela tem onze anos e meio e, em uma de