Pular para o conteúdo principal

Alice viaja nas histórias (Muitas histórias!)


Acho muito importante esse movimento, que autores e editoras fazem, com as releituras de contos de fadas que foram popularizados pela Disney. Abordei um pouco sobre esse assunto no texto sobre o (maravilhoso) Lute como uma princesa e volto a fazê-lo, porque a literatura infantil e infantojuvenil, em minha opinião, precisa sair do óbvio! E sim, nosso mercado editorial/livreiro está preparado para isto, com publicações nacionais e também com publicações traduzidas.

E essa minha “militância” toda foi pra começar a falar do Alice viaja nas histórias, que é uma publicação originalmente italiana, publicada no Brasil pela Editora Biruta e que, em 2019, esteve em sua 9ª reimpressão!
O autor Gianni Rodari e a ilustradora Anna Laura Cantone (Ambos mundialmente premiados!) se inspiraram não só na Alice, mas também em outros personagens de fábulas e contos de fadas para produção dessa publicação tão única!

O livro conta a história da personagem Alice que, entediada pela chuva, é “obrigada” a pegar um livro velho pra ler, mas durante a leitura cai “dentro do livro de cabeça e tudo” (O que me lembrou a outra Alice... Aquela do País das Maravilhas...) Coincidência ou não, Alice caiu na página ocupada pela história de Aurora (Aquela, a Adormecida!), e fez um barulhão, destruindo o sono e os sonhos encantados dessa princesa, porque a acordou fora de hora!
Sempre desajeitada, Alice foi caindo e desajeitando outros contos de fadas e fábulas, até ser jogada para fora do livro que estava lendo e, mesmo sem chuva, perceber a importância da leitura.

O Alice viaja nas histórias é um livro curtinho, com texto em caixa alta e muito lúdico! A fluidez do texto, produzido com rimas e prosas muito criativas, auxilia a diagramação dinâmica (O leitor precisará tirar o livro da posição tradicional para ler algumas páginas.) e a ilustração sutilmente interativa. É uma publicação que estimula a percepção e a importância da leitura e do livro mas, para isto, o intermediador da leitura precisa interagir com o pequeno leitor, porque é necessário que a criança perceba como o livro pode ser um passatempo precioso em dias chuvosos e tediosos, por exemplo. Mas o autor e a ilustradora não escancaram isso... É sutil, sensível e inteligente!
 
Não conheço o processo de feitura desse livro maravilhoso, mas, além dos benefícios para a criança, veja bem quantos benefícios essa publicação curtinha e deliciosa pode trazer à família e à escola: interatividade, aproximação, estímulo de criação, desejo pela leitura... Não se trata apenas de uma “releitura” de contos de fadas e fábulas, mas também de uma abordagem prática e produtiva desses gêneros popularizados e tomados para outros propósitos há muitas décadas!

Um livro dedicado a incutir no jovem leitor o apreço e o carinho pelo livro. Facilmente pode ser considerada uma leitura necessária para as crianças, os adultos, os docentes e para nós, “reles” leitores, que queremos apenas nos divertir a cada nova virada de página!

Ficha técnica
Título original: Alice nelle figure
Título brasileiro: Alice viaja nas histórias
Autor: Gianni Rodari
Tradução: Denise Mattos Marino e Silvana Cobucci Leite
Ilustrações: Anna Laura Cantone


Este texto foi revisado por Lorena Almeida.

Com carinho, Cotovia Literária!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Proibido aos elefantes (Elefantinhos do mundo, uni-vos!)

Ensinar sobre inclusão às crianças não deve ser tarefa fácil mas, ainda mais difícil, penso eu, seja ensinar aos adultos já incutidos de preconceitos (e pré-conceitos) a lidar respeitosamente com o que é diferente pra eles. Para amenizar essas dificuldades, os livros (Sempre os livros!) são ferramentas incríveis e imprescindíveis!   Como já disse aqui outras vezes , gosto sempre de destacar a transparência e a coragem com que algumas editoras trabalham. Neste texto falarei de um livro infantil, publicado pela (super competente) Trioleca Casa Editorial .   O livro Proibido aos elefantes , assim como outras publicações da Trioleca , é uma ferramenta sensível, acolhedora e de fácil utilização para abordar temas como inclusão, amizade, medo, diferença, exclusão, solidariedade e solidão (Ficou uma listinha meio grande, mas é necessário. Eu não poderia deixar algum item desses de fora.).   Nessa história linda, escrita por Lisa Mantchev , o protagonista sente certa dificuldade em

A sociedade literária e a torta de casca de batata (Entre porcos e livros!)

  Eu jamais iria ridicularizar alguém que gostasse de ler. (Juliet para Amelia)   A sociedade literária e a torta de casca de batata é um desses livros do qual, não quero me separar. Quero andar com ele pra cima e pra baixo, não importando se ainda há páginas para serem lidas ou não.   As autoras Mary Ann Shaffer e Annie Barrows contam a história de Juliet Ashton, uma escritora inglesa que está em turnê de divulgação do seu último livro, logo após a Segunda Guerra Mundial, e que está em crise existencial (Dito assim parece clichê, mas é muito mais profundo do que consigo transcrever aqui no texto.).   O livro traz um compilado de cartas trocadas entre a escritora inglesa e alguns personagens da trama, principalmente Dawsey Adams, Sidney e Sophie. Dawsey é um fazendeiro na Ilha de Guernsey que, durante a ocupação alemã, adquiriu um livro que foi de Juliet e que na contracapa trazia o endereço antigo dela. Dawsey enviou uma carta pro tal endereço pedindo recomendação de alg

Três é demais (Será?!)

Conheci o João Marcos , autor do novo livro da Abacatte Editorial, Três é demais , no FIQ de 2018 (Festival Internacional de Quadrinhos). Ele estava autografando seus livros com o Mendê e a Tê e também desenhando outros personagens muito maravilhosos no flip chart . Fiquei encantada por saber que aqueles traços tão fortes saíram das mãos de alguém tão gentil como o João!   Com o prefácio lindamente escrito pelos irmãos Lu Cafaggi e Vitor Cafaggi , o talentoso quadrinista João Marcos lança o muito divertido Três é demais - que com certeza fará muito sucesso nas bibliotecas particulares e, também, abalará as estruturas das bibliotecas escolares: história em quadrinhos, caixa alta, poucas páginas, formato gráfico excelente e miolo impresso em papel resistente.   *   Usando e abusando da criatividade dos personagens Mendelévio e Telúria, para abordar temas do cotidiano infantil, causando grande confusão na vida dos dois irmãos, o quadrinista me divertiu com seu texto e sua i